segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Celebração da Música Sergipana - Festival Aperipê de Música

The Baggios - Foto Marcos Vieira
Na noite de sábado, 23 de outubro, o público que lotou o Teatro Lourival Baptista, em Aracaju, prestigiou um espetáculo de sons e ritmos de Sergipe. Era a apresentação das dez músicas finalistas do Festival Aperipê de Música, que, ao longo dos últimos meses, mobilizou músicos, compositores, internautas, público ouvinte da AM e FM Aperipê e telespectadores da TV Aperipê em torno de um evento magnífico que comprovou não só a qualidade e a diversidade da música sergipana, mas também o compromisso da Fundação Aperipê com a cultura desse Estado.

A banda The Baggios, com a canção "Em Outras" foi a grande premiada da noite, venceu nas categorias Melhor Música com Letra e Melhor Intérprete Vocal. Já na categoria Melhor Música Instrumental, o prêmio ficou com o grupo Café Pequeno, com a música "Hang Drum Café". Ambos os grupos participarão agora do Festival Nacional de Música da Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARBUP), que será em dezembro, em Belo Horizonte. Ainda na categoria Melhor Música com  Letra, a banda Sauna 970 foi contemplada pelo voto popular, com sua canção "Bela Nostalgia".

Café Pequeno - Foto Marcos Vieira
Sergipe levará uma mostra de sua nova música e será muito bem representado no Festival da ARPUB, mas o trabalho dos jurados não foi nada fácil. Desde a primeira fase do Festival, quando foram selecionadas as 30 melhores composições, dentre um universo de 84 inscritos, que a tarefa já se mostrava árdua. Quem teve o privilégio de ouvir esta seleção, 05 instrumentais e 25 com letra e música, que ficou disponível no hotsite da Fundação Aperipê para votação, pôde comprovar a difícil incumbência dos jurados para escolher as 10 finalistas.

Mutante in Sanidade - Foto Marcos Vieira
O Festival reuniu diversas tendências musicais que revelaram a grande riqueza de sons e ritmos sergipanos. Merecem destaque, além das 10 finalistas: "Forró Bolado", de Edson Costa; "Trumpeteando", de Jorge Coelho; "Eita", de Celda Mota e "Dentro de mim", de Carlinhos Rasec. Selecionar 10 entre tantos talentos é muito complicado. Certamente, por conta da notória qualidade técnica e estética de muitos concorrentes, a comissão organizadora do evento decicidiu premiar a todos os 10 finalistas na noite de sábado. Entre eles estavam veteranos, como o Café Pequeno, e estreantes, como a banda Mutante in Sanidade.

Mutante in Sanidade - Foto Marcos Vieira
A banda, formada há cinco meses, fez sua estreia em grande estilo, ao lado de ilustres representantes da música sergipana. Com um pop rock composto por Jorge Henrique e Maurício Júnior, irmãos do vocalista Tiago, foi selecionada entre as 30 músicas da primeira fase e, graças aos votos de muitos internautas, integrou as 10 finalistas, enchendo de orgulho seus conterrâneos em Nossa Senhora da Glória, berço do maior evento de rock no interior do Estado, o Rock Sertão.

Para a apresentação das finalistas, a organização do Festival decidiu que cada concorrente apresentasse duas composições de seu repertório, o que enriqueceu mais ainda a noite. O encerramento ficou por conta da cantora e compositora Patrícia Polayne, vencedora do Festival da ARPUB, em 2009. O Festival foi transmitido ao vivo pela internet, com som e imagem,  e pelas rádios Aperipê AM 630 e FM 104,9.

A Aperipê demonstrou competência e compromisso com a cultura do Estado de Sergipe. Ao longo do Festival, em todas as suas fases, desde a inscrição até sua culminância no palco do Teatro Lourival Baptista, tudo transcorreu de forma transparente, organizada, participativa e técnica. O evento abriu portas para novos talentos e deu maior visibilidade aos de carreira já consolidada. A presidente da Fundação Aperipê (Fundap), Indira Amaral, reafirmou o apoio à música sergipana  e enfatizou a importância desse compromisso da Aperipê em divulgar talentos, sobretudo, dentro do próprio Estado, a fim de que se fortaleça a identidade do artista sergipano e de que este obtenha reconhecimento e seja aplaudido em sua própria terra.

Jorge Henrique Vieira Santos

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Manifesto de professores universitários em defesa da educação

O manifesto, abaixo transcrito na íntegra, já ultrapassou 2.000 assinaturas, desde sua publicação em 15 de outubro do corrente. Já foi assinado pelos professores Antônio Cândido, Alfredo Bosi, Fábio Konder, Franklin Leopoldo, Flora Sussekind, Marilena Chaui, Sírio Possenti, dentre inúmeros outros intelectuais renomados nacional e internacionalmente (veja lista completa).

Leia e saiba porque Serra representa um profundo retrocesso para a educação em nosso país.

Manifesto de professores universitários em defesa da educação

Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.

Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais.

Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina a difamação, manipulando dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Aos jovens professores

Mike Rose

Quero começar celebrando a vocação de vocês para se integrarem a uma das mais importantes profissões de nossa sociedade. O que é mais importante que exercer um papel central no desenvolvimento das vidas de crianças e jovens? Tratem essa vocação com carinho porque ela vai enfrentar testes difíceis.

Vocês estão entrando na profissão num tempo perturbador. Apesar de todos os discursos políticos a respeito da importância da educação, muitas cidades e estados estão procurando equilibrar seus orçamentos por meio de cortes nos investimentos para a educação. Os professores são universalmente elogiados como solução para os problemas educacionais e, simultaneamente, condenados como causa fundamental de tudo de ruim que acontece nas escolas.

O que está por trás dessa loucura bipolar é uma batalha ideológica para definir o ofício de ensinar. Há um entendimento de que palpites de não economistas são irrelevantes no mundo econômico. Por outro lado, há um entendimento de que qualquer um pode dizer com propriedade o que é ensinar.


Assim como acontece em muitas esferas da vida moderna, há uma forte tendência para definir o ensino em termos técnicos e gerenciais. A política educacional vem cada vez mais sendo ditada por economistas que têm pouco conhecimento da vida em sala de aula. Os currículos vêm sendo “roteirizados”, impondo aos professores o que e quando ensinar. A aprendizagem dos alunos está reduzida a uns poucos desempenhos em testes padronizados. O professor se torna um mecanismo de entrega de conhecimento cuja efetividade será determinada fundamentalmente pelas notas obtidas nos citados testes.

Tanto o ministério quanto a secretaria municipal de educação nada dizem sobre como engajar as mentes das crianças e adolescentes ou sobre o ensino como uma jornada intelectual. Vocês nada escutam sobre os valores que os atraíam para a carreira docente. Vamos, pois, falar agora sobre essas coisas, pois elas são o coração e a mente do trabalho que vocês irão fazer.

Ensinar é uma tarefa profundamente intelectual, e isso se aplica a pré-escola tanto quanto a cursos de pós-doutorado em física. Muitas pessoas tem admiração pelo trabalho cerebral exigido por estudos no campo da física, mas se esquecem do empenho intelectual necessário para ensinar qualquer assunto para qualquer faixa etária. A boa professora primária sabe muito sobre desenvolvimento infantil e como engajar as crianças em aventuras de saber em qualquer disciplina. Numa classe cheia de crianças ela sabe quem precisa de ajuda, como responder a uma pergunta mal feita, e escolhe bons exemplos ou comparações para guiar os alunos na direção de um pensamento mais claro.

Vocês talvez não se vejam como intelectuais. Jovens professoras algumas vezes dizem que escolheram o ensino porque “gostam de crianças”. Mas, lembrem-se, esse é um tipo especial de cuidado, uma relação focada no desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Assim, mais que dar afeto, vocês vão usar suas mentes a serviço dos outros.

Ensinar é, portanto, um tipo especial de relacionamento. Vocês deverão aprender a respeito das crianças em frente de vocês, de onde elas vieram, o que importa para elas. Isso vai exigir um esforço especial se vocês – como muitos professores – não pertencerem à comunidade na qual ensinam. Ouçam seus alunos. Tentem entender como eles vêem o mundo. Vocês ficarão, simultaneamente, perturbados e inspirados pelo que ouvirão. Com isso, vocês ficarão mais sábios.

Não esperem reciprocidade. As crianças nem sempre reagirão do modo esperado. Irão até ignorá-los. Mostrem a elas que vocês são sérios e que estarão disponíveis mesmo quando elas não estiverem. Isso ficará registrado. As crianças são muito atentas para a infidelidade e para a consistência. Um professor veterano que conheço costuma dizer aos novatos: “Não pensem que uma criança, incapaz de ler, não consegue ler vocês”.

Estejam prontos para fracassar. Uma aula que vocês preparam com carinho irá por água abaixo, ou um entendimento de certo problema de uma criança não se sustentará. Isso vai acontecer com vocês nos dois primeiros anos de docência e, acreditem, aconteceu com todos nós. A educação, escreveu W.E.B. DuBois, é “ objeto de infinitos experimentos e freqüentes enganos”.

Para muitos de vocês, essa será a primeira vez que falham em sala de aula. Será penoso e desorientador. Por isso é essencial que vocês saibam como lidar com o fracasso, pois em tais momentos vocês ficarão vulneráveis diante de suas próprias inseguranças e diante daqueles que são cínicos quanto às crianças, alguns deles frequentadores da sala dos professores.

É imperativo, portanto, que no minuto em que atravessarem a porta da escola vocês comecem a perceber quem são os bons professores. Convidem-nos para um café. Procurem conhecê-los, pois quando fracassarem vocês precisarão de ajuda para entender as coisas, para transformar as falhas em conhecimento em vez de amargura. Aprender a ensinar é uma longa jornada, cheia de decisões e de auto-avaliação. Vocês não vão querer fazer essa jornada sozinhos.

Vocês certamente devem ter notado que eu não lhes dei nenhum conselho sobre o que fazer na segunda feira de manhã. Isso nos remete de novo ao significado do que é ensinar. Conhecer todos os truques de como manejar uma sala de aula é tremendamente importante e vocês, caso sua formação tenha sido boa, deverão ter certos planos na cabeça. Além disso, vocês logo serão assaltados por propagandas de produtos que prometem fazer suas classes funcionarem maravilhosamente.

Estou mais interessado nas suas maneiras de pensar sobre o que fazer na segunda de manhã. Todos os bons professores que conheço, não importando nível de ensino, disciplina, ou estilo, tem o equivalente ao que os músicos chamam de “orelha grande”; eles são curiosos, abertos, sempre buscando qualquer coisa que possam usar a serviço de seus objetivos mais abrangentes. Eles tem grande conhecimento sobre materiais e técnicas, e estão com os dedos sobre o pulso de seus alunos, imaginando se e como alguma coisa vai funcionar em suas aulas. É isso que significa pensar como professor, e esse pensar define o trabalho que vocês estão a ponto de começar .

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mutante in Sanidade entre as 10 finalistas do Festival Aperipê de Música!

Mutante in Sanidade no V Rock Provincial
Graças ao seu voto, a banda MUTANTE IN SANIDADE, está classificada para a GRANDE FINAL do FESTIVAL APERIPÊ DE MÚSICA, com nossa música EU QUERO FICAR SOZINHO.

Agora, precisamos novamente contar com seu voto!

Abriu uma nova votação para escolher a melhor entre as 10 FINALISTAS

Os votos computados desta vez vão ajudar a compor a nota dos jurados técnicos na apresentação da grande final no dia 23 de outubro de 2010, no TEATRO LOURIVAL BATISTA, em ARACAJU.

CURTA UM SLIDESHOW DA BANDA! É SÓ CLICAR!